Into the Green
Arquivado em Devaneios
The History of my Green Fairies
A peaceful place to rest…
Sempre em andamento.
Arquivado em Segunda Fase
Excerto
Personagens: O Vácuo e Eu.
Minha reflexão sobre a Bienal Experience. Ou não. Na verdade, quando não há padrão, minha imaginação me prega peças. E, hoje, sentada no gramado de um Centro Esportivo, com muitas crianças brincando ao meu redor e mesmo com um solzinho neste dia frio, que vou além das fronteiras dos meus pensamentos cotidianos, chatos, chatos… Queria ter uma aventura como a da Alice, quem sabe um dia eu não acabe morando embaixo de uma árvore com o Sr. Bigode?
Voltando a realidade-não-realidade…
Vácuo – Pára de gritar!
Eu – Ontem! Ontem mesmo aprendemos que a pureza é um mito! Ou foi mês passado? Ou, foi hoje?
- Ah, a pureza é um mito sim! Arte e política, arte e política. Fixa, fixa!
- Pois é. Eu que anseio pela pureza. Uma natural, mão que afaga, amparo. Dar e receber, dar e receber.
- Eu anseio pela pureza do ar, somente. Está cada vez mais difícil expirar e respirar aqui. Expirar e respirar.
- Aqui aonde?
- Estamos em uma reflexão. Concentre-se, por favor. Sinto ter interrompido, mas, ande! Refletir, refluir, retornar, retomar, reforçar.
- Ah, quantas palavras, não? Está bom… Aprendi que devemos medir, pesar, contar, moldar, soldar as palavras. Que tal?
- E a ouvir, lembre-se bem. Mas, seu caso é complicado. Já pensou como fará para colocar em palavras tudo que está acontecendo, tudo que se passou?
- Como assim, tudo que se passou? Tudo que pensei, sofri, amei, refleti, repensei…? Levaria décadas!
- Tenho tempo e gosto de aprender. Vamos lá, deixo gritar mais um pouco comigo se te fizer bem.
- Já nem sei mais o que falar. Por que sempre me dá nós? Deve ser um passatempo, só pode. Tenho pensando em tantas coisas, ultimamente, sei que tem percebido. Aliás, como vai seu amigo Abismo?
- Muito bem. Por quê?
- Fiquei com medo. Muito medo esses dias. Contaram-me que a vida é como uma bailarina dançando a beira do Abismo. Quis gritar, protestar, chorar. O que era aquilo? A vida não é apenas uma linda bailarina dançando sobre as pedras, mesmo que pontiagudas? Por vezes, ela se machuca, claro. Em outras, dança com perfeição, jamais caindo no Abismo.
- Fiquei sabendo que a hora do chá do Abismo está bem concorrida há tempos, vai ter que fazer uma reforma, diríamos, uma ampliação.
- Existem tantas pessoas no mundo, uma há de me ceder a mão quando torcer o pé!
- É mesmo? (risos)
- Será que estarão com tanta pressa assim, vivendo como se o amanhã importasse mais do que o hoje? Avise ao Abismo que prefiro café! Fico por aqui então? Gostava mais quando não era irônico. Criei tantos laços vivos e multicoloridos este mês. Aprendi tanto. Aprendi que devemos enxergar a diferença e exercitar a aceitação. Que tal agora? Posso lhe dizer que é muito complicado. Hei de me esforçar, prometo. Mas, grite de volta de vez em quando, caso eu erre.
- Isso é extremamente importante. Afinal, sou peregrino, por aqui e por ali e durante muito tempo vi o mundo caminhar para trás quando se negligenciou o Outro e sua opinião… Aliás, se olhar para o lado neste momento perceberá qualquer uma dessas relações.
- O Outro. O Outro. Quem é esse tal Outro que escuto o nome todos os dias?
- Você está bem confusa hoje. O Outro é o outro. Todos e Nenhum.
- Entendi que devo partilhar com o tal Outro, espaço, tempo e escuta. Que meu corpo se expressa tanto e tanto, muito mais do que eu imaginava. O modo como nos colocamos diante de nós mesmos. O que significa essa frase? Sinto que posso fazer tantas coisas e todas ao mesmo tempo. Ganhei força, talvez. Será que sou outra pessoa? Ou a mesma, apenas deslumbrada? Tem tantos mundos aí, digo, aqui fora para serem descobertos ou percebidos. Quantas viagens, quantas conquistas, quantas aventuras.
- E quantas perguntas! Estou ficando sem paciência. Apenas permita-se. Exponha-se. Apaixone-se. Experimente.
- Mas, como se nem a intensidade do que sinto no momento consigo controlar?
- …
O tempo urge e minha divagação termina por aqui. Gosto de me expressar através de palavras, obrigada por tais oportunidades. Como não vi o filme “O Filho” decidi criar a minha narrativa, que acabou por se tornar (fisicamente, se é que assim posso chamar) uma das minhas indagações ao travesseiro. Este que conhece todos os meus contos e devaneios.
Curso de Formação de Educadores para a 29ª Bienal de Artes de São Paulo
Laura Muniz Pacheco
10 de junho de 2010
Arquivado em Segunda Fase
Lógico e Próprio
Inexplorada é a mente imprópria,
Pois é a mesma que move o mundo.
O mundo seria tão obscuro
Se não fosse a sede [de alguns] por ser ilógico.
Do contrário, à penumbra não bastaria a mente
E sim o desfalecimento de todo conteúdo próprio.
Ao relógio que grita lógico,
Com seus ponteiros incômodos
Deixamos a impaciência, imperatriz da discórdia,
A ocupar penumbra e corpo e mente e mundo,
A exaurir de memórias sem alma própria,
Momentos esquecidos, sem tempo.
Ao homem, deixaram as palavras
E nelas tamanha força, tantos odores e sabores
E deixaram, também, o esquecimento, a velocidade
A constante movimentação
Ocupando o espaço da paixão, do risco, do perigo
Que deveriam ser luz e penumbra em nosso viver [i]móvel.
Inexplorada é a mente incomum
Pois é a mesma que move o mundo
Transbordada de singularidades, de experiências
De sinestesia própria, sem obsessão
Sem pressa, mas atenta
Ouvindo com a pele e lendo com as mãos.
Arquivado em Devaneios, Segunda Fase
Bienal Experience
Torno-me um fluxo constante de devaneios.
A importância das palavras e do ouvir permanecia misturada entre tantas outras.
Antes acreditava que para se escrever estávamos limitados a algum sentimento, seja ele forte para quem escreve ou não, talvez uma paixão ou um desespero. Infelizmente, às vezes os dois juntos não levassem alguém a escrever.
O que me levou a uma longa reflexão para compreender e aprender a extrapolar o que é uma experiência.
Experiência.
Ou seja, tudo e qualquer coisa, um parangolé.
Agora, tenho vontade de escrever sobre tudo. Lembrar-me e revivenciar todas as coisas.
E tudo ao mesmo tempo, por favor.
Hoje, percebo meu tato, meu olfato, meu paladar e, acima de tudo, minha visão e audição.
Como se estivessem modificando minha sensibilidade,
Quero estar pronta, quero me depositar no mundo, livremente, integrar. Quero que se depositem em mim, livremente.
Consigo ouvir melhor.
Quero experimentar!
Quero apreender o mundo todo em uma brisa suave. Imaginar quantas histórias e vidas ela carrega em si, em seu soprar constante-inconstante. Imaginação para toda uma vida.
Por fim, sei que não precisamos de tempo ou oportunidade para nos reconfigurarmos. Precisamos, talvez, das pessoas certas-não-tão-certas, de experiências, de paciência e da arte.
Expansão.
Bienal Experience.
Destino.
Arquivado em Segunda Fase


